(por MAURO MUG)
O casarão de 1911, na Rua Major Diogo, na Bela Vista, transformou-se num laboratório para os alunos da Escola Paulista de Restauro, que começou a funcionar neste mês no local. De concepção italiana, o casarão é tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp). Foi cedido, por 10 anos, pela família Almeida Nogueira ao Museu a Céu Aberto e à Companhia de Restauro. Os alunos vão recuperar pinturas existentes nas paredes de uma saleta do hall de entrada e cobertas por camadas de tinta. O mesmo será feito com os pisos de madeira e de ladrilho, o forro esculpido em madeira e as esquadrias de pinho-de-riga. No quintal, serão dadas aulas práticas de Arqueologia Urbana. “Em meio a jabuticabeiras e ameixeiras, serão feitas prospecções no terreno em busca de fragmentos de louças, vidros e vestuário que revelarão os hábitos dos moradores e a história da cidade naquela época”, resume Francisco Zorzete, diretor da Companhia de Restauro e um dos idealizadores da escola. No momento, 12 alunos participam de cursos extra-acadêmicos para a formação multidisciplinar nas áreas de arquitetura e restauro voltados a arquitetos, engenheiros, artistas plásticos, historiadores, sociólogos e químicos. O primeiro curso tem como tema a Metodologia de Projeto de Restauro para Bens de Interesse Histórico. As aulas são de quarta a sexta-feira, das 19 às 21h30. Aos sábados, são feitas visitas a esculturas e imóveis restaurados, como o conjunto a Carlos Gomes, na Praça Ramos de Azevedo, e o Centro Cultural Banco do Brasil. “A escola pretende suprir a falta de profissionais especializados em nível universitário e secundário na preservação da cultura histórica”, diz Zorzete. “A nossa preocupação não é só com os que elaboram projetos, fiscalizam, mas também com a mão-de-obra.” Nesse sentido, a instituição oferece oficinas para a população da região central com idades entre 16 e 50 anos. “O objetivo é auxiliar na reinserção social por meio de um programa profissionalizante para formar marceneiros, pedreiros, eletricistas, pintores, encanadores e serralheiros.” “Os cursos permitirão o desenvolvimento pessoal e profissional, a geração de renda e, conseqüentemente, a inclusão social. ”A escola tem apoio da Associação Viva o Centro, que divulgará as atividades do local. Em breve, a escola terá um café e uma biblioteca. |